|
Um velho ditado popular propagou a idéia de que "cão que ladra, não
morde". Esta é uma assertiva falsa, pois qualquer cão pode morder,
ainda que não conste da lista de animais tidos como agressivos.
Segundo a FUNASA (Fundação Nacional de Saúde), no ano de 1999, cerca
de 400 mil pessoas foram mordidas por cães e necessitaram de
atendimento médico. Não é possível se determinar com absoluta
exatidão o número de pessoas mordidas, pois muitas delas se tratam
em casa ou em consultórios particulares, não comunicando o fato às
autoridades. Há, inclusive, estados que não compilam esses dados.
Entretanto, médicos e veterinários reconhecem que o número de
pessoas atacadas por cães está aumentando e alegam como os possíveis
motivos: a falta de controle do crescimento da população canina e a
ignorância no trato com os animais.
O indicado, antes de se acolher ou adquirir um cão, é informar-se
sobre as características e temperamento da raça em questão, para
saber se o mesmo combina com a personalidade da família. É
aconselhável, também, colher informações sobre o temperamento dos
pais do animal, pois se forem agressivos é bem possível que os seus
filhos também o sejam.
O custo financeiro e o emocional para quem é agredido por um cão
podem ser bastante altos. Às vezes, várias cirurgias reparadoras são
necessárias para se reconstituir o rosto, no caso de ataque
considerado grave, pois para isso é preciso retirar pele e
cartilagem de outras partes do corpo. E, não se pode olvidar que,
mesmo sob os cuidados de mãos habilidosas de um cirurgião
competente, dificilmente o rosto voltará a ser o que era
originalmente
Outro fator que ninguém deve desprezar é o adestramento do cão; este
deve ser contínuo, desde o primeiro dia do animal em sua casa até o
fim da vida do mesmo.
Treinar um cão implica em caminhar e brincar com ele, além de lhe
dar aulas de obediência. Se você achar graça das mordidas ou tolerar
a indisciplina de um filhote, estará lhe dando oportunidade de se
impor e de se tornar dominante, quando o correto seria ensiná-lo a
se comportar bem no convívio com pessoas.
Acostumar o animal a conviver com outras pessoas, desde a época em
que é filhote, leva-o a socializar-se adequadamente. Há cães que
permanecem sozinhos o dia todo num apartamento e há os que são
amarrados constantemente do lado de fora da casa, o que os incita a
um comportamento agressivo.
Os donos de um cão precisam ter em mente que, embora eles saibam
lidar com o animal, os amigos e parentes talvez não o saibam e, por
isso, não se pode prever como o animal vai interpretar determinados
gestos, principalmente de estranhos. Em ocasiões de se receber
visitas é recomendável cercar-se de cuidados extras como, por
exemplo, prender-se o animal.
Se o seu cão rosna, arreganha os dentes ou tenta atacar alguém que
lhe visita, não invente desculpas para este seu comportamento. Um
cão de estimação deve e tem de ser controlado por seu dono,
obedecendo-lhe a voz de comando. Atitudes como estas precisam ser
corrigidas.
É bom salientarmos que, geralmente, as pessoas mordidas são as que
não têm medo de cães e que se consideram hábeis no trato com esses
animais e, por isso mesmo, não tomam as devidas precauções com cães
desconhecidos.
Existem algumas medidas que podem e devem ser colocadas em prática
no contato com cães:
- Evite encarar um animal desconhecido e jamais fuja dele correndo.
Afaste-se devagar e em silêncio, sem fazer movimentos bruscos.
- Caso o animal lhe ataque, não grite e não corra e não fite ou fale
com o animal. Procure permanecer imóvel, com os braços abaixados ao
longo do corpo, sem agitá-los para o alto.
- Se, ao ser atacado, você for derrubado, encolha seu corpo o mais
que puder e proteja suas orelhas com as mãos.
- Antes de acariciar um animal desconhecido, pergunte ao dono se
você pode fazê-lo. Se isto lhe for permitido, deixe primeiro que o
cão cheire as costas de sua mão fechada e, só depois, faça-lhe um
carinho suave e delicado.
- Nunca perturbe um animal que esteja dormindo, comendo ou cuidando
de seus filhotes.
- Nunca deixe recém-nascidos ou crianças pequenas sozinhas com um
cão.
- Preste atenção a determinadas posturas que podem sinalizar um
ataque iminente: pêlo eriçado, cabeça abaixada, olhar fixo e mesmo o
rabo abanando podem significar que o cão está excitado com a
possibilidade de luta.
Há estudos que comprovam que a castração reduz a agressividade.
Lembre-se de que treinar um cão agressivo, depois de adulto, é
tarefa difícil e pode não dar certo. O veterinário pode lhe indicar
um adestrador ou um especialista em comportamentos caninos.
Se mesmo depois de adestrado, seu cão continuar a assustar ou a
atacar as pessoas, pense na possibilidade mais segura e humanitária
de sacrificá-lo, ao invés de abandoná-lo por não conseguir
controlá-lo. |